Uma cirurgia robótica realizada em Campo Grande entrou para a história da medicina e mudou o futuro de uma mulher que o sistema havia desistido de ajudar.
A paciente, moradora de Laguna Carapã, chegou ao consultório com o útero completamente tomado por tumores benignos. Em 2022, já havia passado por uma cirurgia aberta na qual foram retirados 8 miomas. Mas, por conta de uma condição genética, os miomas voltaram com força ainda maior.
Todos os especialistas que ela consultou indicavam o mesmo caminho: a retirada total do útero (histerectomia). Para uma mulher de 32 anos que ainda queria ser mãe, aceitar isso era inaceitável.
“Pareciam cachos de uva dentro do útero dela. Ela passou por outros médicos que queriam realizar a retirada do útero. Porém, ela tem o sonho de ser mãe com 32 anos e não queria perder o órgão.”
Não havia registros na literatura médica de preservação uterina em um caso com esse volume de miomas. O que se seguiu foi um procedimento que redefiniu os limites do que é possível na ginecologia robótica.
A cirurgia foi realizada em abril de 2026, no Hospital Cassems, em Campo Grande. A equipe utilizou técnicas combinadas para minimizar os riscos e garantir a preservação do útero.
Avaliação completa do volume e localização de cada um dos 155 miomas, mapeando os riscos e definindo a estratégia de acesso com precisão.
Uso de ligadura temporária das artérias uterinas, ácido tranexâmico e vasopressina para minimizar o sangramento, o maior risco em casos como este.
Visão tridimensional ampliada, permitindo identificar miomas de apenas 2 a 3 mm, sem tremor e com alta precisão durante as 5 horas de procedimento.
Sem complicações, praticamente sem dor. A paciente recebeu alta e voltou de carro para sua cidade no mesmo dia da cirurgia.